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Pedro Lima - Se Você Diz Não
Cantando pelas ruas de São Paulo, nas madrugadas. Foi assim que Pedro Lima esboçou vários dos sambas e canções que interpreta em Se Você Diz Não, seu promissor CD de estréia. “Gosto de fazer as letras na rua, andando e cantarolando”, conta o paulistano de 33 anos, que assina nove das 11 faixas do álbum, além de cantar e tocar violão ou guitarra, em todas elas.
No mercado musical de hoje, onde se vê até adolescentes entrando em estúdio para imitar descaradamente seus ídolos, a estréia de Pedro pode soar um pouco tardia aos olhos dos mais apressadinhos. Bobagem. Os anos que ele passou se apresentando em casas noturnas paulistanas, em projetos do Sesc SP, além de alguns meses tocando em bares de Londres, na Inglaterra, lhe trouxeram mais preparo técnico e personalidade musical.
Claro que Pedro, como qualquer artista, teve e ainda tem seus ídolos. Sua lista pessoal de influências começa por João Gilberto, João Bosco, Nat “King” Cole e Chet Baker, referências musicais acima de qualquer suspeita para ouvintes de bom gosto. Mas seu primeiro álbum já revela maturidade suficiente para que suas composições e interpretações não se pareçam com as de seus mestres, muito menos com as de outros artistas.
O fato de Pedro ter estudado violão clássico, além de conviver com músicos eruditos, o levou a sonhar por algum tempo com a carreira de concertista. O que não deixa de ser curioso, no caso de um músico como ele, que desenvolveu desde cedo uma relação muito próxima com a música popular, em especial com a bossa nova e o jazz.
“Tom Jobim teve uma influência gigante nessa confluência de música erudita e popular, em minha formação. Assim como ele, Edu Lobo e Chico Buarque foram muito presentes na minha infância, por conta de meu pai”, relembra o violonista e compositor, que também inclui nesse pacote de influências grandes mestres da canção-norte norte-americana, como Irving Berlin, Cole Porter, Gershwin e a dupla Rodgers & Hart, cujas pérolas alimentam há décadas os repertórios dos jazzistas.
Mas não espere encontrar em Se Você Diz Não alguma bossa composta por Pedro, que fale de amores, sorrisos e flores, como se fazia no final dos anos 50, no Rio de Janeiro. Nem imagine que ele vá interpretar um clássico da MPB, ou mesmo algum standard do jazz, com a reverência e a falta de personalidade que tantos candidatos à carreira musical costumam exibir em seus discos de estréia.
A faixa do álbum que mais se aproxima da bossa nova é justamente a descontraída versão de Pedro para In Between Days, o hit da banda pop inglesa oitentista The Cure. “Acho as letras dessa banda incríveis”, diz ele. Também há um toque de irreverência em sua releitura do clássico samba Bala com Bala (de João Bosco e Aldir Blanc). Os vocais meio falados reforçam o tom malandro da letra sobre um groove de funk-rock pesado.
“Tenho uma ligação especial com os anos 50 e 60, mas quero viver meu tempo”, admite Pedro, que contou com a experiência do produtor e baixista Zé Eduardo para que seu álbum soe mais contemporâneo. A faixa que dá título ao CD é um bom exemplo: vozes sampleadas se fundem na introdução; o ritmo bem marcado evolui para uma batida funkeada de samba.
Aliás, o ritmo do samba está presente em grande parte do álbum. Vem colorido por uma guitarra rockeira e vocais quase falados, em Meio Barato. Assume um formato mais tradicional, em Rei Morto, Rei Posto. Volta cadenciado, nas cordas dos violões, em Andarilho. Ganha uma letra politizada e vocal típico do rap, no dançante samba-rock Perseguição, que conta com a participação de Fernandinho Beat Box.
Até em faixas marcadas por outros ritmos, o samba está presente nas letras, como na funkeada Se Você Diz Não (“Um samba bom, amores na bagagem / eu conheci uma morena de verdade”). Ou na saborosa A DJ (“e disse que era da perifa, casada e nunca cai no samba / e foi pra lá de Santo Amaro que o meu som se debruçou”), canção pontuada por um baixo acústico bem jazzístico.
Quer dizer que Pedro é um sambista? No sentido mais tradicional, certamente não. Além das misturas e fusões rítmicas que aparecem em seus sambas, ele também se aventura por outras praias sonoras. Como na instrumental Paulo, que compôs depois de assistir Terra em Transe, o revolucionário filme de Glauber Rocha. O impacto foi tamanho que Pedro decidiu incluir na gravação algumas falas do ator Jardel Filho extraídas do filme. Já na sombria Mendigo (canção que se transforma em um doce samba), o cantor e compositor divide a gravação com a voz do ator Pascoal da Conceição.
A partir desses diálogos com a poesia, com o cinema e o teatro, ou mais ainda, com a música brasileira e internacional do passado, Pedro Lima consegue criar música de essência e sabor contemporâneos, com a cara do nosso tempo. Pra que se preocupar com rótulos?
Carlos Calado
Serviço:
Se Você Diz Não – Pedro Lima
Lançamento: Label A
Preço sugerido: R$ 18,00 (à venda em www.mubi.com.br , Livraria da Vila, Livraria Cultura)
Informações para imprensa
Renata Lima
Outras Palavras Comunicação e Marketing
11 7881 6776/ 3798 2551/ 8346 2551/ ID 86*24555 - renatalima01@uol.com.br
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| INTEGRANTES |
Pedro Lima
guitarra e voz
Otávio
Samples e programações
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